Quando o Palmeiras entrar em campo este sábado, a partir das 21h00 (hora de Lisboa), em Lima, no Peru, no Estádio Monumental, para a final da Taça Libertadores, Abel Ferreira, treinador do 'verdão', vai tentar erguer o troféu pela terceira vez e dar seguimento à 'era dourada' de treinadores portugueses na mais prestigiada competição de clubes da América do Sul nos últimos tempos.
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Efetivamente, quatro das últimas edições - incluindo a última, por Artur Jorge, ao leme do Botafogo - foram conquistadas por treinadores lusos, com Jorge Jesus a abrir caminho no comando do Flamengo em 2019, antes dos dois triunfos de Abel no Palmeiras, em 2020 e 2021.
Caso volte a conquistar a prova, Abel Ferreira igualará o argentino Osvaldo Zubeldía no segundo lugar da lista de treinadores que mais vezes venceram a Taça Libertadores, ficando apenas atrás de outro argentino, o lendário Carlos Bianchi, que ergueu o troféu por quatro vezes.
Na véspera de mais um possível momento de glória para Abel Ferreira e para o futebol nacional, recordamos as anteriores quatro conquistas de treinadores portugueses na Libertadores.
2019: Flamengo 2-1 River Plate (Jorge Jesus)
Jorge Jesus desbravou, indubitavelmente, caminho no que toca a treinadores portugueses por terras brasileiras, abrindo com o sucesso alcançado as portas para a chegada de muitos mais nos anos que se seguiram.
Jesus assumiu o leme do Flamengo em julho de 2019 e o sucesso foi instantâneo. Pegou na equipa no 3.º lugar do Brasileirão, a 8 pontos do topo, e acabou campeão com uns incríveis 16 pontos de avanço.
Na Copa Libertadores até começou com uma derrota, na primeira mão dos oitavos de final, frente ao Emelec, do Equador, mas apurou-se nos pênaltis e depois deixou pelo caminho os dois gigantes de Porto Alegre, Internacional e Grêmio, nos quartos de final e nas meias-finais, respetivamente (com uma goleada de 5-0 sobre os últimos).
A final foi contra o então poderoso River Plate, detentor do troféu e orientado por Marcelo Gallardo, visto como o melhor treinador da América do Sul por aquelas alturas. Mas Jesus e o Flamengo levaram a melhor, de forma épica. O River marcou cedo, mas golos de Gabriel Barbosa aos 89' e aos 90+2' ofereceram ao clube carioca então a sua segunda Taça Libertadores, a primeira desde 1981 (nos tempos em que Zico brilhava com a camisola rubro-negra).
2020: Palmeiras 1-0 Santos (Abel Ferreira)
Jorge Jesus deixou o Flamengo pouco depois do início da época seguinte e, na altura do adeus, afirmou que nem dali a 100 anos outro treinador português conquistaria a Taça Libertadores. Mas a história depressa o desmentiu e foi preciso apenas...um ano.
O sucesso de Jesus levou os clubes brasileiros a olharem com outros olhos para os treinadores portugueses e Abel Ferreira foi um dos que rumou ao 'país irmão' para assumir o leme do Palmeiras.
Chegou já com a temporada perto do fim, em novembro de 2020. Pegou na equipa com esta a desiludir no Brasileirão, mas já nos oitavos de final da Taça Libertadores. Começou por afastar o Delfín, do Equador, de forma clara, eliminando depois o Libertad, do Paraguai, e o River Plate (ainda com Gallardo ao leme), nas meias-finais, apesar de apanhar um susto: vitória fora, em Buenos Aires, por 3-0 na primeira mão, derrota por 2-0 em casa na segunda.
A final (jogada já em 2021, por contingências da pandemia, no Maracaã) foi (como será desta feita, em 2025) contra outra equipa brasileira , o Santos, treinado por Cuca. E a vitória do Palmeiras de Abel foi épica, com um golo aos 90+9', assinado por Breno Lopes, quando já todos contavam com o prolongamento.
2021: Palmeiras 2-1 Flamengo, após prolongamento (Abel Fereira)
A defender o troféu na temporada seguinte, o Palmeiras começou por ultrapassar sem problemas a fase de grupos. Depois eliminou com alguma dificuldade o Univ.Católica, do Chile, nos oitavos de final, antes de eliminar o rival São Paulo nos 'quartos'. As meias-finais também foram equilibradas, decididas graças a um golo fora diante do Atlético Minueiro de...Cuca (esse mesmo que havia perdido a final para Abel um ano antes).
Em 2021 a final foi novamente 100 por cento brasileira...e entre os dois emblemas que se degladiarão agora pelo troféu em 2025, com o Palmeiras a levar aí a melhor sobre o Flamengo (treinado por Renato Gaúcho) após prolongamento. Raphael Veiga marcou cedo para a equipa de Abel, Gabriel Barbosa ainda empatou mas Deyverson garantiu a revalidação do título no arranque do prolongamento.
O Palmeiras conquistada a terceira Taça dos Libertadores do seu palmarés (a primeira tinha sido ganha em 1999) e Abel tornava-se no primeiro treinador tornava-se no primeiro treinador a vencer a prova dois anos seguidos desde Carlos Bianchim, em 2001.
2024: Botafogo 3-1 Atlético Mineiro (Artur Jorge)
Depois de dois anos, em 2022 e 2023, em que os treinadores brasileiros conseguiram retomar o domínio, os treinadores portugueses voltaram a mostrar o que valem em 2024, desta feita pela mão de Artur Jorge.
Deixou o comando técnico do SC Braga para assumir o leme do Botafogo em janeiro de 2025 rumo a um ano de glória: campeão do Brasileirão com seis pontos de avanço sobre o Palmeiras e a primeira Taça Libertadores da história do clube do Rio de Janeiro.
Na fase de grupos o Botafogo até se ficou pelo segundo lugar da sua secção, afastando depois numa eliminatória muito equilibrada o Palmeiras, de Abel, nos oitavos de final. Nos quartos de final o adversário foi outra equipa brasileira, o São Paulo, e o equilíbrio foi ainda maior, com o apuramento a surgir apenas no desempate por penáltis. Mais fácil foi o êxito nas meias finais, frente aos uruguaios do Peñarol, com a vitória por 5-0 na primeira mão a arrumar desde logo a questão (apesar da derrota por 3-1 na segunda).
E a final, como não poderia deixar de ser, foi outro assunto 100 por cento brasileiro, contra o Atlético Mineiro. A vitória, essa, teria contornos de autêntico milagre, depois de o Botafogo se ter visto reduzido a dez jogadores logo aos dois minutos de jogo. Mas Luiz Henrique colocou a equipa de Artur Jorge na frente e Alex Telles ampliou a vantagem ainda antes do intervalo. O chileno Eduardo Vargas reduziu a abrir o segundo tempo, mas o 'fogão' resistiu estoicamente com um homem a menos e nos descontos chegou mesmo ao 3-1, por Júnior Santos. Artur Jorge fazia a festa...e pouco depois anunciava o adeus ao clube após um ano de glória.
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